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30/04/2021
Tripulantes do Ever Given, encalhado no Canal de Suez, podem ficar presos no navio por anos


Os 25 tripulantes do navio cargueiro Ever Given, encalhado no Canal de Suez, no Egito, em março, seguem na embarcação até hoje. O grupo, inclusive, pode esperar por anos até poder sair do veículo. As informações são do jornal O Globo.

Conforme a BBC, a tripulação está vivendo longe de casa, no país egípcio, em razão de um conflito multimilionário. No imbróglio, estão envolvidos o navio de bandeira do Panamá, de propriedade de uma holding do Japão, operado por uma empresa da Alemanha. A tripulação, por sua vez, é oriunda da Índia.

O Ever Given causou o bloqueio de uma das principais rotas marítimas comerciais do mundo enquanto ficou encalhado, entre os dias 23 a 29 de março. Atualmente, o navio está no Grande Lago Amargo, no sistema do Canal de Suez.

Qual a situação dos tripulantes?

Representantes da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF) embarcaram no Ever Given, na semana passada, para fazer verificação da saúde e do bem-estar da tripulação. De acordo com eles, o grupo a bordo ainda estava em boas condições e de "bom humor".

Apesar disso, os tripulantes estão em posição delicada — eles estão ansiosos para saber se poderão voltar para casa como de costume, quando os contratos forem findados.

A Autoridade do Canal de Suez (SCA) já avisou, porém, que o navio seguirá no Egito e sua tripulação não poderá abandoná-lo até que os quase US$ 1 bilhão exigidos para compensação dos danos causados pelo encalhe do navio sejam pagos. O valor contempla, também, a operação de salvamento e a "perda de reputação", segundo a BBC.

"É natural que eles fiquem ansiosos com a incerteza da situação", afirmou Abdulgani Serang, do sindicato Indian Boaters' Union, representante da equipe do Ever Given. Serang indicou ainda que a a empresa alemã Bernard Schulte — que alugou a embarcação e contratou a tripulação — é conhecida, e os marinheiros têm acordos sindicais adequados.

Especialistas, contudo, destacam que esse litígio internacional entre todas as empresas, seguradoras e agências governamentais pode levar anos para ser resolvido.
Qual o problema

O navio impediu a passagem, que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo, na Europa, por quase uma semana. Em razão do problema, houve um congestionamento de mais de 400 embarcações.

Depois do desencalhe, várias empresas buscaram seguros em razão das cargas — 90% delas não são seguradas para atrasos, conforme a revista especializada Lloyd’s List. Várias corporações podem não ser indenizadas.

De acordo com a BBC,  enquanto a SCA argumenta que os esforços para libertar o navio foram caros e devem ser compensados, os armadores entraram, no Reino Unido, com uma ação judicial contra a empresa que operava o cargueiro. Para especialistas, determinar responsável e a indenização não será fácil, frente às acusações e aos processos.

"Não houve perda de vidas, nenhum derramamento de óleo ou atividade criminosa no incidente. É apenas uma questão civil sobre as implicações financeiras negociadas pelos proprietários egípcios, fretadores, seguradoras e autoridades", avaliou Abdulgani Serang.

O status oficial do navio, no momento, é de "confiscado", conforme a Evergreen, empresa de navegação que aluga porta-contêineres da holding Shoei Kisen Kaisha, do Japão.

O que causou o encalhe do Ever Given?

Durante o encalhamento, cogitou-se que o incidente fora causado por condições meteorológicas. Algum tempo depois, os investigadores passaram a questionar a competência dos tripulantes e uma possível negligência.

A primeira mulher capitã de navio do Egito, Marwa Elselehdar, foi surpreendida, no mês passado, com rumores na internet. Boatos diziam que ela era a culpada pelo incidente envolvendo o cargueiro Ever Given. Na época, porém, a capitã estava trabalhando como primeira oficial no barco Aida IV, que navegava a centenas de quilômetros de Alexandria. Ninguém ainda foi formalmente acusado pelo incidente.

Fonte: Diário do Nordeste

Foto: Ahmad Hassan/AFP

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