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19/08/2019
China compra mais soja do Brasil devido a guerra comercial com EUA, e preços sobem 10%

O mercado de soja do Brasil ganhou um ingrediente adicional nesta semana, com processadores locais ampliando a disputa pela matéria-prima com chineses, que também buscaram mais fortemente o produto sul-americano, devido à guerra comercial com os Estados Unidos.

Há relatos no mercado de compras pela China de mais de 1 milhão de toneladas de soja de Brasil e Argentina apenas nos últimos dois dias, com a situação cambial facilitando a vida de importadores.

Enquanto isso, os negócios entre produtores e processadores brasileiros foram fortes, especialmente nesta semana, em que foi realizado um leilão para compra de biodiesel, cuja matéria-prima é em sua maioria óleo de soja.

O prêmio pela soja nacional no porto de Paranaguá, importante termômetro da exportação, subiu mais de 15% na semana para US$ 1,50 por bushel ante contrato de referência da bolsa de Chicago, maior nível desde novembro de 2018, com a forte demanda chinesa.

No mercado local, o preço da soja no acumulado do mês atingiu R$ 85,40 por saca de 60 kg (base Paranaguá), também o maior valor desde meados de novembro, com alta de mais de 10% no mês, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

— Isso é sinal do aumento da demanda chinesa pela soja da América do Sul, especialmente Brasil e Argentina — disse Luiz Pacheco, da T&F Agronômica, em relatório.

Ele disse que foram reportados negócios de 14 carregamentos na quarta-feira e outros quatro, na quinta-feira, totalizando mais de 1 milhão de toneladas do produto.

— No Brasil, houve vendas de origem de mais 120 mil toneladas. Na Argentina, os agricultores venderam mais 300 mil toneladas... fugindo dos eventuais problemas político-econômicos e aproveitando a alta do dólar, com boa participação dos exportadores — acrescentou Pacheco.

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Relatos de outras fontes do mercado confirmaram tais negócios de soja no Brasil. As transações têm sido impulsionadas tanto pela guerra comercial (já que chineses disseram que não estão comprando mais o produto dos EUA) quanto pelo câmbio.

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No Brasil, esta semana, o dólar foi visto a patamares não registrados desde maio, valendo mais de R$ 4, enquanto na Argentina, com a derrota do presidente Maurício Macri nas primárias, um dólar valeu 65 pesos no início da semana, o maior valor da história.

— O acirramento da guerra comercial, desde a semana passada, gerou uma série de incertezas, e o ponto de inflexão foi a desvalorização da moeda chinesa em relação ao dólar. O Brasil também teve desvalorização, e a Argentina nem se fale — disse o pesquisador do Cepea Lucilio Alves.

Ele  também chamou a atenção para a maior demanda interna, seja para atender a uma mistura maior de biodiesel no diesel, que passará a partir de setembro, de 10% para 11%, seja para atender a indústria de ração, em meio a uma boa demanda de indústrias de carnes, que também estão elevando exportações, especialmente para a China, afetada pela peste suína africana.

O aumento da mistura eleva a demanda pela oleaginosa em cerca de 200 mil toneladas ao mês, já que o biodiesel é feito majoritariamente de óleo de soja no Brasil.

Segundo o especialista, nessa conjuntura, os preços do óleo estão nos maiores níveis desde o final de 2018, enquanto o farelo de soja também vem sendo absorvido pela demanda do setor de carnes.

— Há um ambiente interno de preços maiores para os derivados, e isso melhora a margem do setor — destacou.

Fonte: O Globo

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