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18/01/2019
Pecém movimentou 70% mais cargas entre portos brasileiros
Após os transtornos causados pela greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, e do tabelamento do frete rodoviário, em decorrência da paralisação, algumas empresas passaram a recorrer à cabotagem (navegação entre portos do mesmo País) para reduzir custos de envio e recebimento de cargas. Em alguns casos, a depender da distância, o transporte por caminhão acabou ficando inviável economicamente, principalmente para produtos de menor valor agregado. Em 2018, o Porto do Pecém, que desde outubro concentra as operações de cabotagem no Ceará, apresentou um crescimento de 70% em relação a 2017, movimentando 220.422 contêineres de 20 pés. Em 2017, o crescimento havia sido de 34% em relação a 2016. Ao todo, foram embarcados, no Pecém, 95.120 contêineres para outros portos brasileiros, 52% a mais do que em 2017. Já os desembarques somaram 125.302 unidades, número 88% superior ao de 2017. "Com o frete tabelado, muitas empresas optaram por buscar a cabotagem por conta do preço. E quanto menor o valor agregado, maior a propensão do frete rodoviário se tornar inviável", diz Larry Carvalho, especialista em Direito Marítimo e sócio da Promare Consultoria. Segundo ele, houve crescimento no envio de produtos como frutas e eletrodomésticos, que antes eram enviados por caminhão. "A cabotagem já vinha crescendo em torno de 10% ao ano, mas no ano passado cresceu ainda mais por conta da greve". A Aço Cearense, por exemplo, já estava com planos de intensificar o uso da cabotagem no início de 2018, mas depois da greve dos caminhoneiros e do tabelamento do frete, a empresa acelerou esse processo e registrou um crescimento de 50% no volume movimentado por cabotagem em comparação com 2017. "O envio de produtos acabados para destinos no Sul e Sudeste do País, acabou ficando inviável por via terrestre", diz Erike Mendes, gerente de logística da Aço Cearense. A empresa que já enviava produtos por cabotagem para Manaus e Roraima, passou a enviar para os portos de Santos (SP) e Itajaí (SC). "O nosso volume transportado por cabotagem cresceu bastante em 2018, principalmente a partir de agosto", diz Mendes. "A gente continua com o modal rodoviário, mas quanto mais distante o destino da carga, mais caro fica o rodoviário, podendo inviabilizar o envio". Historicamente, o custo do frete marítimo é cerca de 20% menor do que o rodoviário, e após o tabelamento do frete chega a ficar 30% menor, aponta Rômulo Holanda, analista de exportação da Frota Aduaneira. "A cabotagem é vantajosa para quem precisa movimentar uma grande quantidade de mercadorias e é bem menos burocrática do que se imagina. Além disso, tem a questão da segurança", diz. "A tendência é que, cada vez mais, a cabotagem seja usada para longas distâncias e o modal rodoviário para curtas e médias distâncias". Brasil No ano passado, foram movimentados mais de um milhão de contêineres de 20 pés entre os portos da costa brasileira, segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac). Ainda assim, o frete de cabotagem responde por apenas 11% da movimentação de carga entre todo meios de transporte. No primeiro semestre, antes dos desdobramentos da paralisação, os volumes transportados pela cabotagem cresciam 13,5% em relação ao ano anterior. Mas, depois da greve, o ritmo anual de expansão subiu para 15,6% até setembro, aponta a Abac. A Aliança, maior empresa de navegação de cabotagem, teve aumento de 28% no volume de cargas do primeiro para o segundo semestre de 2018. A previsão inicial da companhia era ampliar em 8% o volume de cargas transportadas em 2018 em comparação com o ano anterior. No final, o avanço foi de 16%. Apesar de a empresa operar desde 1999, pela primeira vez em 2018 transportou em seus navios melancia, melão, laranja e tangerina, de São Paulo para Manaus, em contêineres refrigerados. Nordeste As rotas de cabotagem mais procuradas são as que partem do Norte e Nordeste para o Sul e o Sudeste. Antes do tabelamento, o transporte de cargas em caminhões do Norte e Nordeste para o Sul e Sudeste era barato porque se tratava de frete de retorno. Como o polo de produção do País fica nos Estados do Sul e do Sudeste, os caminhões retornavam praticamente vazios do Norte e Nordeste. Por isso, o valor desse frete nessa rota era baixo. Mas com a obrigatoriedade da tabela, o frete de retorno deixou de existir e as empresas do Norte e Nordeste tiveram de buscar saídas econômicas. Fonte: Diário do Nordeste - https://goo.gl/4NeRfg

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