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26/08/2020
Exportações voltam a crescer no Ceará


Fortemente impactado pela crise, o comércio exterior cearense já dá sinais de recuperação. No Estado, foram US$ 1,12 bilhões em exportações no acumulado de janeiro a julho deste ano, registrando queda de 19,3% ante igual período em 2019. Porém, quando comparado o último mês com junho, houve crescimento de 13,8%.

O valor das vendas somente neste mês foi de US$ 168 milhões, segundo o estudo Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Na avaliação da gerente do CIN, Karina Frota, as vendas fechadas em meio a um contexto econômico frágil reafirmam o papel da abertura de outros mercados para tracionar os negócios. O assunto foi debatido ontem no Ceará Global, evento voltado para a internacionalização da economia do Estado, que acontece hoje e encerra amanhã.

“O comércio foi extremamente abalado e ainda segue desaquecido por contas das diversas restrições de transportes. No entanto, a internacionalização pode ser uma estratégia para a recuperação empresarial. O que percebemos, enquanto indústria, é que muitas empresas reformularam suas cadeias de fornecedores, buscando parcerias externas”, analisa.

Ela destaca que “os olhares também estão mais voltados para o Mercosul — bloco econômico formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — como forte aliado”. Embora a previsão ainda seja de medidas mais protecionistas, a estimativa é que, em 2021, haja ainda mais um crescimento do setor. De acordo com Karina, as commodities brasileiras devem ter alta. No Ceará, a aposta é a exportação de frutas e outros alimentos.

Durante o evento, discutiu-se também como a logística será fundamental no processo de internacionalização das empresas. Atualmente, 95% das exportações saem via modal marítimo, mas há condições competitivas de diversificação do transporte.

A presidente da Fraport Brasil, Andreea Pal, falou que o hub aéreo da Air France/KLM/GOL trouxe aumento significativo, sobretudo, nas vendas de produtos não perecíveis, como flores, frutas, além de medicamentos. “Com o aeroporto finalizado e modernizado, podemos atender esse crescimento de carga aérea e ser um fator importante para o desenvolvimento da indústria”, disse.

A presidente do Porto de Fortaleza, Mayhara Chaves, destacou que trigo e combustível são fundamentais para a pauta no Estado. “O Nordeste tem um grande diferencial de estar próximo das regiões consumidoras da Europa, facilitando o escoamento da produção”, exemplificou. A diretora do Complexo do Pecém, Rebeca Oliveira, reiterou e frisou que a cadeia logística ajudará a crescer ainda mais.
A Sondagem Industrial de julho, também realizada pela Fiec, mostra, por exemplo, que a indústria cearense manteve a trajetória de recuperação no mês analisado, atingindo 64,9 pontos no indicador de produção. Esse aumento mostra um aquecimento da atividade industrial. Essa foi a maior pontuação no índice desde o início da série histórica, em 2010. Os demais indicadores também voltaram aos níveis pré-pandemia.

A Utilização da Capacidade Instalada (42,9 pontos) continua abaixo da usual, mas voltou para patamar de fevereiro, período que antecedeu o agravamento da crise sanitária. Já o índice de Evolução do Número de Empregados para o Ceará foi de 48,9 pontos, demonstrando redução no emprego ainda em julho. Mesmo abaixo dos 50 pontos, esta foi a menor queda mensal do indicador desde março. Já a nível nacional, o emprego aumentou, ficando acima de 50 pontos.

Fonte: O Povo

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