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26/02/2019
Medidas protecionistas cresceram 22%
Segundo levantamento da OMC, de outubro de 2017 até este mesmo mês de 2018, o número de novas medidas restritivas ao comércio internacional avançou 22% frente aos doze meses imediatamente anteriores, interrompendo uma fase de declínio que vinha acontecendo desde 2015.

A abrangência dessas restrições atingiu US$ 588 bilhões de fluxo de comércio, uma cifra 6 vezes maior do que um ano antes, e se concentraram em produtos de maior valor agregado e intensidade tecnológica. Já as medidas de facilitação de comércio neste período abrangeram um volume bem menor, de US$ 296 bilhões.

Segundo análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) divulgada na última sexta-feira, no centro deste processo de guerra comercial encontram-se EUA e China, cujas ações protecionistas envolveram US$ 340 bilhões em comércio, segundo avaliação da Unctad, em seu “Key Statistics and Trends in Trade Policy 2018” de jan/19, o que representa mais da metade dos fluxos bilaterais entre estes países em 2017 (US$ 640 bilhões).

As motivações para este comportamento, ao que parece, são multidimensionais e não devem ser desprezadas: EUA estão buscando proteger sua propriedade intelectual e procurando trazer de volta ao seu território elos industriais que ao longo das últimas décadas se deslocaram para o exterior. Também ambicionam assegurar sua liderança na indústria 4.0. As respostas de Pequim, por sua vez, sugerem a intenção da China em avançar no progresso tecnológico em direção a etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.

Em suma, EUA e China parecem travar um duelo pelo domínio dos sistemas produtivo, comercial e tecnológico internacionais. Por essa razão, é possível que as investidas protecionistas que vimos recentemente não sejam passageiras, estabelecendo uma nova etapa à globalização produtiva e comercial, na qual as maiores oportunidades para os países emergentes, como o Brasil, poderão ter ficado para trás.

Em parte, os efeitos dessa conjuntura internacional já podem ser sentidos. No curto prazo, os principais organismos multilaterais vêm repetidamente assinalando uma perda de dinamismo do comercio exterior.

De fato, depois de crescer +5,3% em 2017, o comércio de bens e serviços deve ter desacelerado para 4% em 2018, segundo as estimativas do FMI, ou para +3,8% de acordo com as projeções do Banco Mundial. A OMC, por sua vez, avalia que o avanço do comércio de mercadorias não tenha passado de +3,9% em 2018 ante +4,7% em 2017. Para 2019, o viés é de continuidade deste movimento. O Banco Mundial espera resultado de +3,6% e a OMC de +3,7%. O FMI, por ora, projeta o mesmo crescimento de +4% em 2019.

A Unctad avalia que a União Europeia será a maior beneficiada pelos conflitos comerciais entre EUA e China, seguida pelo México, Japão e Canadá. O Brasil aparece como o 8º país com maior potencial de ganho. Calcula-se que as exportações brasileiras podem ter uma alta de US$ 10,5 bilhões, o que representaria um aumento de 3,8% em relação ao valor exportado em 2017.

Fonte: DCI

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