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06/02/2019
Operação investiga falhas de segurança nos portos cearenses
Os portos cearenses estão sob investigação. Auditores da Receita Federal, com apoio de agentes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e de membros do Ministério Público Federal, realizaram ontem uma grande operação de vistoria nas instalações dos portos do Mucuripe e do Pecém.

A ação mirava principalmente um eventual flagrante de tráfico de drogas nos dois ancoradouros do Ceará, mas também buscou possíveis casos de descaminho e contrabando registrados nos pátios.

A ideia era que fosse uma operação inopinada, sem o conhecimento de funcionários dos portos. Não houve indicação oficial se os policiais e auditores seguiam uma investigação específica ou pista de informantes.

O POVO apurou que o Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública do Nordeste (CIISP), sediado em Fortaleza, contatou a Delegacia Geral da Receita, em Brasília, solicitando a inspeção conjunta de ontem.

Até o fim da tarde, o trabalho prosseguia em contêineres dos dois pátios. A imprensa não teve acesso aos locais. Além de cães farejadores, as equipes aduaneiras e de policiais teriam sido reforçadas com agentes de fora do Ceará, mas não foi repassado detalhes do efetivo utilizado.

Nenhuma informação sobre material apreendido ou prisões realizadas havia sido divulgada oficialmente. O POVO buscou informações junto aos órgãos envolvidos. A previsão é que a operação será estendida pelos próximos dias, por conta da dimensão das instalações portuárias.

A vistoria foi iniciada ainda cedo da manhã e tentou identificar brechas no esquema de segurança e de vigilância que facilitem o interesse de traficantes e contrabandistas no local. O trabalho acabou sendo relacionado ao momento de atentados ocorridos desde o início de janeiro no Ceará.

O procurador da República Márcio Tôrres foi um dos que acompanharam a operação. Ele confirmou ter assistido ao trabalho de ontem no Mucuripe como o membro do Ministério Público Federal que integra o Gabinete de Gerenciamento de Crise (GCrise) para a atual onda de ataques no Estado.

"Essa operação de hoje (ontem) tem a ver, mas não necessariamente. Estamos aproveitando para acompanhar e associar ao contexto (dos atentados)", justificou o procurador. O GCrise é o grupo reunido pelo governador Camilo Santana (PT) para definir estratégias contra o crime organizado. É formado por autoridades de segurança, da Justiça e do setor penitenciário.

Foi considerado, antes da operação no Mucuripe e no Pecém ser deflagrada, que alguns membros do GCrise poderiam levantar informações sobre o interesse das facções criminosas nos locais. "O trabalho é mais para prospectar, descobrir as falhas nos portos, do que para atuar contra um alvo específico", garantiu Tôrres.

Fonte: O POVO

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