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Notícia

 

21/11/2019
Alta do dólar deve estimular vendas de exportadores no Ceará

A disparada no preço do dólar registrada nos últimos dias, que fechou a R$ 4,206 nesta semana, o maior valor nominal (sem descontar a inflação) deve beneficiar as exportações de produtos locais. Na linha de frente, itens como aço, calçados, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, frutas e cera animal e vegetal, as principais exportações do Estado, devem sentir o impacto. Na outra ponta, entretanto, as importações devem ser prejudicadas devido aos custos mais altos.

Com a moeda americana em um patamar mais elevado, as empresas locais ganham potencial competitivo frente a estrangeiras na venda desses produtos, que receberão mais pela mesma quantidade de vendas em dólar. Mas o cenário não fará com que exportadores tenham lucro imediato, segundo aponta a gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Karina Frota.

O benefício, explica, será sobretudo para empresas que aproveitarem o momento, estrategicamente, para se posicionar no mercado externo. "Para eles, a alta do dólar comercial pode gerar uma maior lucratividade, já que entendem o cenário econômico mundial e têm condições de negociar o seu preço no mercado internacional", pontua.

Neste contexto, as empresas exportadoras podem aumentar a produção para ganhar competitividade. Entretanto, salienta Karina Frota, a eficiência dessa estratégia vai depender da origem dos insumos - se também forem do exterior, não haverá benefícios, uma vez que os custos da produção também serão elevados, impactando o valor final dos produtos.

No Ceará, de janeiro a outubro deste ano, aço foi os item cearense mais vendido a outros países (US$ 1,045 bi). Em seguida, vêm calçados (US$ 196,9 mi); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (US$ 150,9 mi); frutas (US$ 120,2 mi); e cera animal e vegetal (US$ 67,8 mi).

Já os produtos mais importados pelo Estado foram combustíveis minerais (US$ 765,7 mi); cereais (US$ 188,8 mi); ferro (US$ 160,8 mi); produtos químicos orgânicos (US$ 144,8 mi); e caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (US$ 107,2 mi).

Os números são do Comex Stat, plataforma de dados sobre importações e exportações brasileiras do Ministério da Economia.

Vendas

No mercado interno, as frutas importadas já sentem o impacto. De acordo com analista de mercado da Central de Abastecimentos do Ceará (Ceasa), Odálio Girão, no último ano, houve um aumento significativo no preço de frutas como o damasco (40%), a pera portuguesa (37,5%), o kiwi (30,77%) e a uva (20%). Apesar dos preços mais altos, o analista de mercado aponta que a expectativa é que as vendas aumentem em 12% devido às comemorações de fim de ano.

Os saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o 13°salário, acredita, devem impulsioná-las. "Estamos tendo boas ofertas e colheitas no momento, então não impactará negativamente agora, talvez só depois. O impacto negativo talvez será nas importações, porque eles devem aumentar os preços", diz Odálio Girão.

Inflação

De acordo com o economista e consultor internacional, Alcântara Macêdo, a alta do dólar comercial não deve perdurar até semana que vem. Destacando que a instabilidade faz parte do movimento financeiro, Macêdo avalia que se houver outras disparadas como as registradas nas últimas semanas, as empresas terão de, inevitavelmente, repassar os preços aos clientes, o que pode impactar sobre a inflação. "Não acontece imediatamente, a não ser que a situação persista. Não se precifica uma pontuação, e sim pontuações", explica.

O consultor destaca que a instabilidade no ambiente ma-croeconômico brasileiro afeta a confiança dos investidores, refletindo na Bolsa e na valorização do real. Ele aponta que o Brasil ainda enfrenta uma situação política delicada e desequilíbrio das contas públicas.

Entre os prejudicados com a escalada da moeda americana, Macêdo aponta as empresas que adiaram o pagamento de itens do exterior nesta semana. Essas ficaram em desvantagem, avalia, porque tiveram que pagar mais em reais que se tivesse pago há algumas semanas.

"Nós temos que aproveitar as exportações, principalmente em commodities. Temos uma reserva cambial muito forte. Se juntarmos a de toda a America Latina, não dá o valor da nossa, por isso o dólar comercial está comportado. Se tivéssemos um déficit, inviabilizaria alguns setores. O preço do pão estaria bem mais caro . O problema do Brasil é porque ele gasta mais do que arrecada", diz.

Fonte: Diário do Nordeste

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